31 de dez de 2015

O QUE É MÚSICA?





Falar sobre música nos remete ao significado de arte e por intermédio dessa expressão visualizamos alguém tocando um instrumento ou em um conjunto como em uma orquestra ou até mesmo em uma banda, de uma pessoa cantando, de um DJ. mixando sons diversos, a música não é algo concreto, mas é composta pela junção de várias notas sonoras, sons diversos, ruídos e silêncios (pausas) e que no entanto temos a habilidade de ouvi-la e senti-la.

 J. Reis Gomes (Apud Leinig, 1977), nos diz que a arte não visa o espírito dos sábios, mas a alma de toda a humanidade demonstrada por intermédio da música, que é uma constante na vida do homem e tão antiga quanto à humanidade há uma atribuição de qualidade específica no campo da religião, da cultura, da medicina e no meio social.

Bruscia relata que a música é uma instituição humana na qual os indivíduos criam significação e beleza através do som, utilizando as artes da comunicação, da improvisação, da apresentação e da audição. A significação e da beleza derivam-se das relações intrínsecas criadas entre os próprios sons e das relações extrínsecas criadas entre os sons e outras formas de experiência humana. (Bruscia, 2000)

Por outro lado, a música produz efeitos em quase todos os humanos ao ressonar com os ritmos do indivíduo. Nossos ritmos inatos, pulsação cardíaca, por exemplo, produzem uma sonorização interna individual. Desta forma a musica apresenta-se como uma expressão singular em sua dupla dimensão externa e interna. Com essa singularidade, potenciais criativos podem ser desenvolvidos através da linguagem sonora, reestruturando-se a subjetividade, a autoestima, a autonomia e a cidadania. Estabelecendo, ainda, significações aos canais de comunicação e um maior contato com a realidade, o que auxilia nas mudanças e desvia o pensamento perturbado dos que estão em sofrimento psíquico.

Desde os primórdios a música já desempenhava um papel de importância em relação ao tratamento de muitas doenças para os gregos. Na antiguidade, Platão, um filosofo grego, afirmava que uma receita medicinal deveria ser acompanhada com música para a saúde da mente e do corpo para vencer as angustias fóbicas. Aristóteles realizava uma catarse (karthasis...) emocional, vivenciada através da música, para beneficiar os efeitos nas emoções incontroláveis. Sendo reconhecido atualmente um dos precursores da Musicoterapia.  

Com os adventos da ciência pós 2º Guerra Mundial as pesquisas sobre os efeitos da música vem nos mostrando o que realmente os elementos sonoros propõem reduzir e transformar os sintomas que são causados aos que vivem em sofrimento ou até mesmo para prevenir doenças. A música verdadeiramente gera algo na saúde física, psíquica, mental, emocional, seja de bem estar ou não, o qual mobiliza o sujeito para algo transformador seja de desorganização como uma organização do EU.    

Sabemos por experiência própria que a música por si só evoca uma grande variedade de emoções, culturas, questões psíquicas, no contexto social em que o individuo está inserido, considerando que o som resulta de duas atuações: uma a nível físico, que corresponde ao estado de vibração das moléculas de um corpo e outra, a nível perceptivo e gnósico, que resulta da vibração sonora no órgão sensorial e suas áreas de projeção e associação ao córtex cerebral (Correia, 1997). Demonstrando que o sujeito mesmo gostando ou não gostando do que está ouvido responde a uma reação seja de forma subjetiva e fisiológica.

Os filósofos Deleuze e Guattarri falam a respeito de territorialização e da desterritorialização e que a música proporciona este papel ao sujeito, um ritmo, um tempo, uma repetição de um som, uma harmonia, uma melodia, uma pausa, visto que, o sujeito é um ser musical dos seus próprios territórios das suas experiências, assumindo características intimamente novas ao estar no papel do conteúdo sonoro da apresentação de si “O som nos invade, nos empurra, nos arrasta, nos atravessa. Ele deixa a terra, mas tanto para nos fazer cair num buraco negro, quanto para nos abrir a um cosmo. [...] Tendo a maior força de desterritorialização, ele opera também as mais maciças reterritorializações, as mais embrutecidas, as mais redundantes. Êxtase e hipnose”.

Segundo Dr. Tartchanoff (Apud Tame, 1984), os efeitos dos estímulos sonoros sobre os músculos do esqueleto podem afetar de duas maneiras distintas: agindo diretamente sobre as células e órgãos e, indiretamente, sobre as emoções, influenciando numerosos processos corporais, exercendo poderosa influência sobre a atividade muscular, que aumenta ou diminui de acordo com o caráter das melodias empregadas.

As vibrações percebidas são capazes de estimular o sistema auditivo para decodificar tons, ritmos e timbres de diversos instrumentos, sendo também capazes de medir a quantidade de energia obtida em um som, primeiramente pelo ouvido externo, ouvido médio e, depois, pelo ouvido interno, como sinais eletroquímicos seguindo, pelo nervo auditivo até o córtex auditivo, transmitindo a intensidade sonora na freqüência que é percebida e traduzida pelos neurônios. Outras estimulações acontecem, produzidas pelas vibrações, que passam pela pele, músculos e ossos, por meio de receptores, como os mecanorreceptores. São estímulos mecânicos contínuos ou vibratórios, que veiculam a modalidade somestésica da percepção, com suas diferentes submodalidades, como os receptores auditivos, sendo a intensidade sonora transmitida na freqüência que é percebida e traduzida. Daí em diante a informação auditiva entrará no SNC, passando através de sucessivas sinapses, por uma série de núcleos, até chegar ao córtex cerebral, lobo temporal, lobo parietal, amígdala, hipotálamo, tálamo, sistema límbico (Ribas, 1957; Skille e Wigram, 1995; Kandel, Schwartz e Jessel, 1997; Cohen, 2001; Lent, 2005).


As regiões corticais e subcorticais, situadas nos setores mediais do encéfalo, demonstram que a música é ativada nas regiões do tálamo e do sistema límbico, destacando a importância das conexões que mantêm com o hipotálamo, juntamente com a área pré-frontal, onde há uma regulação dos processos motivacionais, como coordenador e integrador dos processos emocionais, sensações e sentimentos (Kandel, Schwartz & Jessel, 1997; Lent, 2005; Petersen, 2005).

A música alem de ser uma arte ela é do mesmo modo uma ciência, a qual esta ciência inclusive pode ser utilizada como terapia, que é a MUSICOTERAPIA.

Falaremos mais sobre a Musicoterapia e seus tratamentos!


Referencia Bibliográfica

BRUSCIA, KENNETH E. “Definindo Musicoterapia” / Kenneth E. Bruscia; tradução de Mariza Velloso Fernandez Conde. Ed. Enelivros. Rio de Janeiro. RJ, 2000.

COHEN, HELEN. Neurociência para Fisioterapia. Incluindo correlações clinicas. 2 ed. Editora Manole. São Paulo. SP, 2001.

CORREIA, CLÉO F. MONTEIRO. “Lateralização para Funções Musicais na Epilepsia Parcial”. Tese apresentada à Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de Medicina, para obtenção do Título de Mestre em Neurociências. São Paulo. SP, 1997.

KANDEL, ERIC R.; SCWARTZ, JAMES H.; JESSELL, TOMAS M. Fundamentos da Nuerociência e do Comportamento. Tradução de Charles Alfred Esbérard e Mira de Casrievitz Engelhardt. Editora Guanabara Koogan S.A. Rio de Janeiro. RJ, 1997.

LEINIG, CLOTILDE E. Tratado de Musicoterapia. Sobral Editora Tec. Artesgraficas Ltda. São Paulo. SP,1977.

LENT, ROBERTO. Cem Bilhões de Neurônios: Conceitos fundamentais de Neurociência. Ed. Atheneu. São Paulo.SP, 2005.

PETERSEN, E. MARTINS. Musicoterapia e Oncologia em Unidade Hospitalar
Especializada. Artigo publicado na Revista Eletrônica Voices: A World Fórum for Music Therapy , na seção Coluna Principal, em 1 de novembro de 2005, sob o título Music Therapy and Oncology at The Natuional Institute of Câncer.

POYARES, LUDMILA C. S. “VIBRAÇÕES SONORAS EM MUSICOTERAPIA” /Ludmila Christina Simões Poyares. Faculdades Metropolitanas Unidas – FMU, 2008, 74 páginas; ilustração: Jamie Huffman, BS, AMI; J/B Woolsey Associates e Simone Mendes.

POYARES, LUDMILA C. S. “IMPORTÂNCIA E INCIDÊNCIA DA MUSICOTERAPIA NA SAÚDE MENTAL” / Ludmila Christina Simões Poyares. Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP, 46 páginas.

PINTO, MARLY CHAGAS O. “PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO NA MÚSICA E NA MUSICOTERAPIAMarly Chagas Oliveira Pinto. Tese (Doutorado em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Instituto de Psicologia- Programa de pós-graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social– EICOS; Rio de Janeiro: UFRJ/IP, 2007.

RIBAS, J. CARVALHAL. Natureza da música – Ação da música nos seres vivos. Fundamentos Psicológicos do Fenômeno Musical. Emoção Musical. Música e Medicina. 2 ed. Gráfica e Editora EDIGRAF Ltda. São Paulo. SP, 1957

SKILLE, OLAV; WIGRAM, TONY. The Effect Of Music, Vocalisation and Vibration on Braisn and Muscle Tissue: Studies in Vibroacoustic Therapy. The Art and Science of Music Therapy: Handbook. Edited by Tonny Wigram, Bruce Sapertn and Robert West. Inglaterra, 1995.

TAME, DAVID. O Poder Oculto da Música – a transformação do homem pela energia da música. Tradução Octavio Mendes Cajado. Editora CULTRIX. São Paulo. SP, 1984.

21 de nov de 2015

XV Simpósio Brasileiro de Musicoterapia




XV Simpósio Brasileiro de Musicoterapia
XV Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia
I Seminário Estadual de Musicoterapia 





Este Simpósio foi realizado nos dias 30 de outrubro à 2 de novembro de 2015 no Rio de Janeiro. 

Foi um encontro de muitos brasileiros de várias regiões do país, do norte ao sul e do leste ao oeste.

A união dos musicoterapeutas em prol da promoção da saúde no Instituto de Psiquiatria do Rio de Janeiro - IPUB, ouve comemorações dos momentos incríveis sobre os 40 anos da criação da graduação de Musicoterapia no Brasil, como também os 20 anos da criação da Revista Brasileira de Musicoterapia.  

A programação foi muito intensa com muitos assuntos de palestras e apresentações de pôsteres com temas fascinantes. 

O tema do encontro foi de fortalecer a Musicoterapia no SUS e no SUAS, contribuindo assim a visibilidade da Musicoterapia brasileira.

Houve a presença de grandes profissionais como, Lia Rejane, Martha Negreiros, Tânia Cristina, Luisiana França, Talita Ribeiro, Raul Brabo, Andreia Bagi, Andrea Farnettani, Fabrícia Santana, Jakeline Silvestre, Daniel Sodré, Marcelo Santana, Nathalya Avelino, Mariane Oselame, Erci Kimi, Magali Dias, Claudia Zanini, Clara Piazzeta, Renato Sanpaio,Ludmila Poyares e outros. 


Mt. Lia Rejane, Mt Doroti e Martha Negreiros

Nova Diretoria da UBAM

Lia Rejane e Marcos Santos 
(fundador da Revista Brasileira de Mt)






6 de set de 2015

II Congresso Ibero-Americano de Investigação de Musicoterapia




O Congresso foi realizado nos dias 6 à 8 de agosto de 2015 em Buenos Aires - Argentina.

A realização do congresso tem como intuito de difundir a importância e incentivo aos profissionais a terem um olhar de pesquisadores em seus atendimentos, para assim difundir e mostrar a eficácia da ação terapêutica da Musicoterapia, em suas cidades, estados e países.

Karina Daniela Ferrari, presidente do congresso relata que este ano foi permitido um intercambio amplo por estar abrindo a participação de outros profissionais não somente da saúde mas também da música que atuam em benefício aos que estão em sofrimento, seja psíquico, físico e emocional, resultando um verdadeiro trabalho interdisciplinar.
"Interconexão cientifica de Música e Saúde" diz Karina D. Ferrari.

Houve a participação dos países da America Latina, Portugal e Espanha (México, Colômbia, Argentina e Brasil etc), como palestrantes ou expositores de pôster, com relatos de suas experiencias com pesquisas e de suas atuações em atendimentos em instituições e atendimentos particulares. O Dr. e musioterapeuta John Carpent que trabalha com o modelo criativo de Nordoff Robbins nos deu o prazer de apresentar o seu trabalho realizado com sujeitos que sofrem de transtornos de desenvolvimento neurológico e seus trabalhos como avaliador em sues atendimentos no Individual Music-Centered Assessment Profile for Neurodevelopmental Disorders (IMCAP-ND).

Teve a participação de mais de 30 musicoterapeutas brasileiros, como Lia Rejane, Martha Negreiro, Claudia Zanini, Rita Dutra, Marilena Nascimento, Luisiana L. Passarini, Clara M. Piazzetta, Andrea Farnettane, Andreia Bagi, Fabricia Santana, Igor Ortega, Gustavo Gattino, Gustavo Araujo, Erci Kimi, Michelle de Mello, Mary Penna, Nanci Santiago, Talita Passoni, Mariana Caribé, Fernanda Motta, Juliana Carvalho, Marli Bahia, Simone Tibúrcio, Daniel Sodré, Irene Bertschinger, Andrea Alvin, Mariane N. Oselame, Teresa Raquel, Ludmila C. S. Poyares e outros.

Houve participações de outros países que representam a formação geográfica dos Países da Península Ibérica e da América Latina (Espanha, Portugal, Colômbia, México, Argentina, Brasil, Uruguai e outros), com alguns musicoterapeutas como Patrícia Pelizzari, Gabriel Federico, Karina Ferrari, Gina Ramos, Lu Downes, Naty Vercellino, Flávia Mancini e outros.

Ocorreu no Congresso apresentações sobre vários temas relacionados a Música, Ciência, Saúde Mental, Musicoterapia, Filosofia, Psicologia, Profilaxia e Educação com informações dos grandes profissionais que atuam em áreas distintas em prol da saúde do sujeito desde criança, adolescentes, jovens adultos, adultos e idosos.

Este Congresso é coordenado pelos musicoterapeutas Lic. Karina D. Ferrari e do Dr. Gustavo Gattino.



foto oficial dos participantes no II GIIMT


 II GIIMT

foto dos brasileiros participantes
(clique na todo a cima e veja todos os momentos do congresso)


30 de ago de 2015

Oliver Sacks, um Neurocientista que Ama a MÚSICA


É com muito pesar que falece hoje dia 30 de agosto de 2015, o maior divulgador da Musicoterapia, neurologista e escritor Oliver Sacks aos 82 anos.

 O neurocientista que em suas pesquisas cientificas sempre relata que a música tem um poder transformador em pacientes com quadros clínicos de Parkinson e Alzheimer, comprovando a eficácia e a importância de uma vida sonora a qualquer sujeito e que há uma transformação, seja emocional, física, psíquica e social.

Em seu livro "Musicophilia - Talles of music and the bain"  (titulado no Brasil -"Alucinações Musicais") no prefácio Sacks relata que "A música expressa apenas a quintessência da vida e dos eventos, nunca a vida e os eventos em si"...Ouvirmos música não é apenas algo auditivo e emocional, é também motor. "Ouvimos música com nossos músculos" já dizia Nietzche.

Nestas palavras vejo cada vez mais que o ser humano nunca poderá ser um sujeito sem a sonorização, hoje estamos vivendo a pausa, o silencio de um grande estudioso e propagador da Musicoterapia. Que esta pausa nos dê uma abertura para novos outros conhecimentos e assim possamos construir mais e mais uma orquestra de lindos estudos científicos com a músicaXciênciaXser humano que andam sempre juntos!

27 de ago de 2015

MUSICOTERAPIA NO II EUROPEAN CONGRESS FOR SOCIAL PSYCHIATRY





II European Congress for Social Psychiatry, co-patrocinado pela Associação Mundial de Psiquiatria Social (WASP) e sob o patrocínio da Associação Europeia de Psiquiatria (EPA),  foi realizado nos dias 01 á 03 de julho de 2015 em Genebra Suíça.

O tema principal do Congresso será Psiquiatria Social na Era da Informática, incentivando uma correlação de perspectivas clínicas e de pesquisa em vários níveis de entendimento e de ação, desde a prevenção ao tratamento.

Peritos europeus de renome no campo vai dar palestras convidadas, bem como os principais simpósios e workshops.

Os palestrantes com a maioria psiquiatras e psiquiatras da união europeia, como da Índia,  falando sobre as ações de uma equipe multidisciplinar para a melhor qualidade de vida aos que estão em sofrimento psíquico. Os tratamentos mesmo após a reforma psiquiátrica, ter sido iniciada da Europa,  estão centralizados em hospitais e atendimentos particulares, nas mãos dos médicos psiquiatras, para assim o pacientes poder realizar outras atividades como tratamentos sem medicações .

Houve a participação da psicóloga Sonia Alberti da UFRJ do Brasil, em uma explanação oral, sobre a atuação da psicoterapia em um CAPS no Rio de Janeiro.

A Musicoterapeuta Ludmila Christina S. Poyares juntamente com a fonoaudióloga estiveram presentes no congresso para apresentarem três posters , sobre suas atuações na saúde mental em São Paulo.

Os trabalhos foram:
1 "The singing breaks barrers to the ones who live under the stigma of psychological distress" [Autores: Ludmila Christina Simões Poyares e Dra. Maria Rita (psiquiatra do CAPS Itapeva)]; 
2  "Adding music therapy and speech therapy to those who are in psychological distress" [Autores: Ludmila C. S. Poyares (Musicoterapeuta), Chang Liang Hui (Fonoaudiólog) e o Dr. Alberto A. Reis (professor e psicologo, como responsável do Laboratório de Saúde Mental Coletiva - LASAMEC da Faculdade de Saúde Pública da USP)];
3  "Rehabilitation Center Hospital Dia, Institute the Psychiatry of the University of São Paulo - Faculty of Medicine - São Paulo, Brazil (CRHD IPQ - HDFMUSP)" [Autores: Ludmila C. S. Poyares e o Dr. Renato Del Sant (diretor e psiquaitra do CRH do Instituto de Psiquiatria FMUSP)].


"Quando estava montando os posteres em seus cavaletes, os participantes já nos perguntavam como era o nosso trabalho e em que site estava as nossas publicações." relata Ludmila Poyares.




II European Congress for Social Psychiatry

25 de ago de 2015

Miguelito escreve uma carta para Mafalda




Miguelito escreve uma carta para Mafalda

"En este dia tan especial me acordé de tu cumpleaños...Cómo pasa el tiempo! Nacimos en el corazón de um país que soñaba. Cuántas utopias! Cuántas deseos de crer, de mejorar las cosas!
Nos tocó convivir con un tiempo de hombres creativos: Luther King, Che Guevara, Juan XXIII, John Kennedy; nos trasmitieron el sentido de la justicia, el valor de los sentimientos, la maravilhosa aventura de pensar con la propria cabreza...
Ayer me perguntaba por nuestra amiga Libertad, auqella pequeñita que un dia encontraste en una playa, no me acuerdo si era Santa Teresita o Mar del Tuyú, me acuerdo todavía cuando la presentaste a tus padres...Era vivaracha y quemadita por el sol de febrero. Dónde vive Libertad? Es verdad que la mataron durante la dictadura? Dicen que la torturaron y su cuerpo desapareció en Rio de la Plata...Me cesta pensar que se murieron sus sueños. Y si vive? Estará filosofando sobre la fragilidad de las cosas y el sentido de la vida? Qué fue de susanita? Se casó? Pudo realizar su vocación ser madre? La imagino vivendo en alguna ciudad de provincia, paseando del brazo del marido (un hombre bajo y calvo) en una tarde de verano, contenta con sus hijos y cuidando el primer nieto, realizada como tantas comunes mujeres...
Supe de Manolito, que perdió sus ahorros durante el corralito y no soportó tanta crisis. Los últimos días lo vieron cabizbajo, murmurando palabras incoherentes, abandonado como un mendigo en una estación de trenes, triste y abatido como tantos...
Sé que Felipe vive en La Habana, que probó con el cine, que tiene un taxi y que habla a los turistas de Fidel y de la revolución con el mismo entusiasmo de cuando vivía en Buenos Aires...
A Guille, tu hermano, lo escuché tocar, hace poco, en la Scala de Milano. Vive en Ginebra, nunca se arrepiente de haber emigrado en los últimos anõs de Alfonsín, me contó que es feliz con su nueva pareja...
Y vos, querida amiga, cómo estás? Hace tanto tiempo que no tengo noticias tuyas. Sé, por otros, que seguís escuchando la radio, que lees los diarios del mundo, que te duele el Irak como te dlía Vietnam, sé que trabajas para la FAO por los pueblos del hambre, que estás indignada por la prepotencia de Bush. Me llegó tu pedido para juntar medicinas para los Médicos sin Fronteras, sé que siguen las reuniones en tu casa de Paris, que estás confundida, inquieta y preocupada por el futuro del mundo...
En fin, Mafalda, sé lo suficiente como para saber que seguís viva, viva en el alma, niña como siempre...De parte mía sigo escribiendo siempre, en el valor de la sinceridad, perdiendo oportunidades por manifestar mis ideas. Algunos días estoy triste y deprimido, pero puede siempre más la alegría que la tristeza...El mundo no mejoró mucho desde la época en que vivíamos juntos en nuestra paria. A veces, cuando miro el globo terráqueo encuentro tu mirada, pienso en todos aquellos que lo miran como vos, en los ojos de los que protestan, de los que no se conforman, y de los que viven en la atmósfera del optimismo y de la justicia...Esos ojos, junto a los míos, te desean un buen día, querida amiga, por otros 40 años tan intensos y jóvenes como los que has vivido.

Un beso grande de tu amigo que te quiere como siempre.
Miguelito"

Retirado do livro Utopías- relatos de un sintiempo da Musicoterapeuta Patricia Pellizzari.




17 de mai de 2015

MUSICOTERAPIA NA SAÚDE MENTAL


A música e seus elementos sonoros são compostos pela junção de várias notas, sons, ruídos e silêncios (pausas), elementos esses que a Musicoterapia utiliza como objeto terapêutico facilitador, que ressoa com os ritmos inatos. Ritmos estes que produzem uma sonorização interna individual, pulsação cardíaca, por exemplo. Assim a música se apresenta como expressão singular em sua dupla dimensão externa e interna, tendo um papel de suma relevância, por constituir-se como um elo entre o mundo interno do paciente e a realidade que o cerca. Com essa singularidade, potenciais criativos podem ser desenvolvidos através da linguagem sonora, reestruturando-se a subjetividade, a autonomia e a cidadania.

O musicoterapeuta trata o individuo por meio da música interna e externa, como uma forma de expressão “normal e única” de suas emoções, seja qual for o quadro clinico que ele apresente. Pois há melodias, sons, ruídos, harmonias, consonâncias e dissonâncias que para ele são importantes e demonstram quem o sujeito é.

A música permite uma forma diferenciada de comunicação, junto a pacientes sofrendo de inibição psíquica ou presa a mecanismos psíquicos de introversão, proporcionando a eles significações e assim, a conscientização do EU. Essa conscientização é etapa fundamental para a construção autônoma do sujeito.


A importância da Musicoterapia no tratamento do sujeito que está em sofrimento psíquico é de uma atuação singular, pois por meio da arte interna onde ocorre a produção sonora através dos elementos musicais que o rodeiam, como a voz, o corpo, os instrumentos musicais e o silêncio. Desta arte, oferece-se ao sujeito a intermediação entre ele e a relação supostamente ameaçadora, além de um acolhimento, despertando, assim, o incentivo à comunicação. A música propicia o rompimento da barreira de incomunicabilidade em uma transformação e aceitação da expressão sonoro-musical, conduzindo ao encontro do Eu, modificando o contexto biopsicossocial.



10 de fev de 2015

A Música e o seu poder Transformador


A música tem o seu poder transformador!

A atuação da Musicoterapia possibilita o uso da música de uma forma cientifica com o objeto terapêutico de melhorar o todo, em uma equipe multidisciplinar em várias áreas da saúde, educação e na assistência social.

A música não é propriedade da Musicoterapia, o que temos que diferenciar que o simplesmente tocar música é um divertimento, mas a atuação da Musicoterapia é muito mais que isto. Os procedimentos da Musicoterapia tem que ter um embasamento teórico e prático, com técnicas específicas com estudos elaborados dos teóricos especializados em cada área de execução!

A atuação cientifica da Musicoterapia vem desde o inicio da Segunda Guerra Mundial e com o reconhecimento da OMS desde1996.

A música no setting musicoterápico juntamente com os instrumentos (objeto intermediário) constituem um elo para o sujeito entre o mundo interno e a realidade que o rodeia, propiciando a abertura de canais de comunicação inconscientemente.

O inconsciente se lê e se escreve como um poema;
condições poéticas do inconsciente psíquico.
A música é a forma sonora inconsciente que transforma o Eu.

Para Winnicott, a música, assim como qualquer arte, é um fenômeno transicional, que tem a característica de pertencer concomitantemente aos mundos internos e externos, onde ocorre o fruto da imaginação, mas tem também existência na realidade. (apud Costa, 2010)

Como relata Benenzon, as experiências sonoras caracterizam-se pelos momentos vividos desde a gestação até a idade adulta, conceito este que se denomina identidade sonora (ISO). Esta identidade encontra-se em um continuo movimento inconsciente do sujeito, estruturando-se no decorrer do tempo, ajustando “um complexo som-ser humano-som” (Apud Ferari, 2010).  


“O inconsciente é a verdadeira realidade psíquica; em sua natureza mais íntima, ele nos é tão desconhecido quanto à realidade do mundo externo, e é apresentado de forma tão incompleta pelos dados da consciência quanto o mundo externo pelas comunicações de nossos órgãos sensoriais”. Freud.